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PARA ALÉM DA GRANDE MÍDIA
Desde: 10/01/2017      Publicadas: 108      Atualização: 23/04/2018

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 Teologia e Vida

  25/03/2018
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BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO DOMINGO DE RAMOS - ano b

Comentário aos textos bíblicos da missa de domingo.

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO DOMINGO DE RAMOS - ano b

1ª Leitura – Is 50,4-7

O texto é tirado do terceiro cântico do Servo de Javé, ou Servo Sofredor do livro de Isaías. Este canto fala de um personagem que não tem, no canto, o título de Servo, não se chama profeta, mas canta sua vocação como a de um servo e profeta, pois assevera seu ministério da palavra, seus terríveis sofrimentos, sua missão, sua confiança e fidelidade ao Senhor.

“O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida” – vers. 4a – não temos o direito de, através de nossa fé, fazer os outros sofrerem mais do que já sofrem. A Palavra de Deus é para confortar a pessoa abatida e não para abatê-la ainda mais.

“ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo” – vers. 4b – o discípulo é aquele que ouve de seu mestre não o que quer, mas o que necessita ouvir, é por isto que é preferível ter uma assembleia com pouca gente, mas celebrando a fé de modo maduro e lúcido, porque “pra ser feliz com mentira, melhor que eu chore com fé” – Taiguara.

O texto continua dizendo que o servo sofrerá muito, será flagelado, execrado, mas que o mesmo não voltará atrás, não deixará de fazer o que o Senhor o enviou a fazer – porque sabe que no final não será humilhado, pois Deus é o seu auxiliador, não deixará que sua fidelidade à missão caia no vazio, como veremos no Evangelho.

O Novo Testamento irá ler o martírio, morte e ressurreição de Jesus a luz dos cânticos deste servo anunciado por Isaías nos quatro cânticos.

 

2ª Leitura – Fl 2,6-11

“Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” vers. 5, diz o versículo anterior ao texto de hoje tirado da Carta de São Paulo aos Filipenses, que vai nos mostrar que sentimentos são esses.

Diz o texto, chamado hino cristológico, que Jesus, mesmo sendo Deus, não usou de seus poderes divinos para realizar sua missão de salvar os seus irmãos (todos nós). A humanidade de Jesus não foi uma fraude, pois só descendo até nossa realidade, e dentro de nossa realidade descendo ao estágio mais baixo, pôde nos resgatar das garras da morte eterna. Sim, pois ele morreu como um bandido, marginal, herege, inimigo do povo, mesmo sendo inocente...

Como diz meu antigo pároco, Pe. João Luiz: “Deus não é infinito só para cima, mas também para baixo, porque só um Deus assim pode nos regatar por mais baixo que nós desçamos”.

Basta ver na chamada parábola do filho pródigo, que deveria se chamar de a parábola do amor e da misericórdia do Pai. Quando o filho mais novo está disputando comida com os porcos (que eram animais imundos para os judeus), seu processo de conversão se inicia: Deus não é conivente, mas também não é ausente.

 

Evangelho – Mc 15,1-39

O texto traz a paixão e morte de Jesus sob a ótica do Evangelho de Marcos. Aqui se vê mais claramente que a trajetória de Jesus é lida sob a ótica do servo de Javé, como dito acima, na reflexão da primeira leitura.

Jesus, anteriormente, foi saudado e festejado com entusiasmo pelo povo em sua entrada triunfal em Jerusalém, para agora o clamor desse mesmo povo exigir sua morte e a libertação de um criminoso notório, Barrabás.

As lideranças judaicas se puseram a incitar o povo contra Jesus, em uma espécie de mídia manipuladora da época.

Deu certo – o inocente foi não só morto, mas execrado publicamente – porque a crucificação significa justamente esse binômio: morte-execração, pois era necessário matar, além de seu corpo, sua missão, ou seja, o Evangelho que ele pregou que dignifica os pobres, que estabelece uma nova maneira de as pessoas se relacionarem baseada na partilha, no perdão, no amor mútuo.

Mas foi inútil, porque matar o semeador não impediu que as sementes que ele plantou desse frutos. Ele próprio foi plantado no sepulcro e o Pai o ressuscitou... Plantar vida só pode gerar ainda mais vida... Por isso os ideais de Marielle vivem, mesmo que queiram também matá-los, como temos assistido por esses dias.

Há uma doutrina social da Igreja Católica sistematizada, de cunho extremamente progressista, que o católico realmente pouco conhece. Há o concílio Vaticano II de 1965 que, infelizmente, é ainda avançadíssimo para o hoje, 25/03/2018. Setores de nossa Igreja tristemente fazem sistematicamente o possível para privar o povo católico dos mesmos. Cumpri-los (a doutrina social e o concílio), como deveria ser o movimento de toda Igreja, gera ser chamado até de comunista, de aliados deste partido ou de outro, de herege. Setores conservadores extremos mostram não ter nenhum espírito de comunhão e veem na diversidade natural de uma Igreja imensa como é a nossa, algo execrável, e para justificar o ódio aos irmãos fazem leituras doutrinárias fundamentalistas e chegam a inventar doutrinas que decididamente não existem. Infelizmente optar como Jesus optou pelos mais pobres, excluídos e rejeitados pelo sistema social vigente, é sofrer crucificações diversas dentro da própria Igreja.

“Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: ‘Na verdade, este homem era o Filho de Deus!’” – ver. 39.

Aqui se cumpre a salvação prometida por Deus, em Jesus, no Espírito Santo. Jesus se fez “sarx” (Jo 1,14), palavra grega que não quer dizer corpo nem ser humano, mas é uma palavra feia para o grego da época, praticamente um palavrão. “Sarx” significa a carne que apodrece e que, com efeito, fede. É então o ser humano na sua experiência de negação da vida, é o doente, o faminto, o excluído, o traficado e prostituído, é o gay espancado até a morte, o abortado, o pobre e preto marginalizado e criminalizado, é a mulher e a criança vítimas de violência doméstica, é o refugiado que encontra ódio nos países para os quais foge por se negar a morrer com sua família em seu país de origem, etc. É a “sarx”, que Jesus só poderia salvar se a tivesse assumido concretamente em si mesmo, em seu corpo mortal. E ele assim o fez. Por isso não adianta esconder o Jesus real com doutrinas, conservadorismos extremos e ódio assassino. A vida vai acabar vencendo e brotando.

Busquemos comunhão em Jesus, não a guerra. Porque “entre vós não deverá ser assim” – Mt 20,17. Fora da Igreja já é assim, se reproduzirmos isto dentro dela, que diferença vamos fazer? (Cf. Mt 5,46-48).




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