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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 108      Atualização: 23/04/2018

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 Teologia e Vida

  17/02/2018
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BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 1º DOMINGO DA QUARESMA - ano b

Comentário aos textos bíblicos da missa de domingo.

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 1º DOMINGO DA QUARESMA - ano b

Gênesis 9,8-15

O texto que trata do dilúvio bíblico não pode ser entendido como uma reportagem, não é um episódio histórico, é um texto que quer transmitir uma mensagem da parte de Deus. Até porque, dificilmente um povo do antigo oriente não tinha uma história de dilúvio onde um pequeno grupo teria conseguido salvar-se.

Vamos a mensagem.

O mal causado pelo próprio homem, ao ser generalizado sobre a terra, faz com que a criação retorne ao caos anterior à criação – na visão do antigo oriental a não criação não é o nada, mas o caos – ao submeter o caos e ordená-lo Deus então, através da força amorosa de sua Palavra, realiza sua ação criadora.

É Deus quem coloca um fim ao dilúvio submetendo e reordenando o caos das águas.

É claro que o antigo judeu não compreenderia assim o texto, para ele Deus teria mesmo aniquilado as pessoas perversas com o dilúvio e preservado a família de Noé que se manteve incorruptível, mas isso se refere ao limite cultural da época e Deus respeita os limites humanos em seus momentos históricos.

Todavia, nós, uma vez sendo agraciados com a plenitude da Revelação, que é Jesus de Nazaré, devemos ler os textos do primeiro Testamento sempre tendo as palavras e os gestos de Jesus como critério de discernimento.

Logo após o dilúvio, no vers. 5, anterior ao texto de hoje, que começa no vers. 8, há a primeira proibição explícita na bíblia de se matar outro ser humano: “da vida do homem pedirei contas ao seu irmão”. Muito importante este pormenor, que figura inclusive no texto-base da campanha da fraternidade deste ano, cujo tema é “Fraternidade e Superação da violência”, e o lema: “Vós sois todos irmãos” – Mt 23,8.

Nos termos da aliança Deus mostra mais claramente sua face, dizendo que não permitirá outro dilúvio igual a esse sobre a terra, e como sinal desta aliança, faz surgir o arco-íris, que na verdade se refere a concepção do Deus guerreiro (uma das concepções de Deus no Primeiro Testamento), que agora deixa de lado seu arco de guerra, como que aposentando-o.

Ao homem cabe responder a Deus procurando ser no mundo sua imagem e semelhança, ao homem cabe converter-se continuamente ao projeto de Deus para a criação toda. Este tempo quaresmal é momento propício para refletirmos mais detidamente sobre como anda nosso processo de conversão.

A segunda leitura associará as águas do dilúvio às águas do Batismo.



Segunda Leitura – 1Pd 3,18-22

O texto começa afirmando que “Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.” – vers. 18. E que “À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo.” – vers. 21.

A morte-ressurreição de Jesus propicia nosso batismo no Espírito de Jesus e, com efeito, nossa participação na vida do ressuscitado, portanto não se trata de uma simples limpeza em nosso ser, mas de uma ação que transforma o nosso ser, que nos torna “filhos no Filho” – agora nos resta corresponder a esta filiação como convém, pois, ao professarmos Deus como Pai, estamos em consequência professando cada homem e cada mulher do mundo, desde o mais santo ao mais cruel e sanguinário dos seres humanos, nossos irmãos e nossas irmãs.

Essa é a Graça e a responsabilidade grandiosas que o Evangelho nos proporciona e nos imprime de uma vez por todas, converter-se continuamente significa viver concretamente essa irmandade universal.



Evangelho – Mc 1,12-15

Naquele tempo, “o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.” – vers. 12-13.

Não é também ao pé da letra que devemos entender este texto. Quarenta é, na simbologia bíblica, um número que indica um ciclo completo, um tempo suficiente para que algo possa enfim acontecer. Daí quarenta anos no deserto, quarenta dias do dilúvio...

Ser tentado e não se curvar às tentações significa fortalecer-se, tornar-se mais maduro na fé e, consequentemente, na vida. “Mas não nos deixei cair em tentação...” – dizemos quando rezamos a oração que o próprio Jesus nos ensinou.

Viver entre os animais selvagens sem ser atacado por eles é alusão à harmonia original do livro do Gênesis, quando Deus havia criado tudo muito bom. Jesus então vem reestabelecer essa harmonia rompida pelo próprio ser humano, paulatinamente, até que o Reino de Deus seja instaurado de uma vez por todas por Jesus através de cada um de nós.

“Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’” – vers. 14-15.

Em Jesus o tempo de espera termina, e nele o Reino de Deus se inicia. O tempo da promessa se encerra em João, e quando a atividade do Batista acaba, o ministério de Jesus começa.

Os reis humanos não conseguiram impedir que Israel fosse invadida e que os israelitas fossem humilhados e deportados. Agora somente confiam em Deus para estabelecer ele mesmo o seu próprio Reino - O Reino de Deus. 

Ao declarar que o Reino de Deus está próximo, Jesus está afirmando que o mesmo está germinalmente ao alcance de todos. É necessário, porém, crer no Evangelho no sentido de dar adesão a ele, nesta graça que por primeiro nos alcança, e manifestá-lo no mundo com nossa conversão: “Convertei-vos e crede no Evangelho.”. 

O Evangelho, a Boa notícia, é que somos filhos do mesmo Pai, e que por isso, como dito acima no comentário da primeira leitura, somos todos irmãos.

Ora, se sou feito a imagem e semelhança de Deus, e se Deus é Pai de todos (o que faz com que sejamos todos irmãos e irmãs), então isto possibilita que nos vejamos em cada homem e em cada mulher no mundo. 

A capacidade de nos vermos no outro faz com que possamos nos colocar no lugar do outro, e isto aumenta as chances de desfazermos em nosso corações sentimentos como, por exemplo, a vingança e a indiferença.

Se os detentores do grande capital tivessem essa capacidade de se colocar no lugar da maioria que sofre com tanta desigualdade causada pela concentração desenfreada de renda, não concentrariam tanta renda assim e a desigualdade e a pobreza não seriam tão grandes como são.

Se os grandes dirigentes de nosso sistema institucional se colocassem realmente no lugar da maioria dos cidadãos que tanto sofrem com os desmandos do poder público, certamente muito sofrimento não aconteceria.

Então cabe a cada um de nós viver concretamente essa irmandade universal que nos é dada por Deus Pai, em Jesus, no Espírito Santo, como o agricultor que planta uma semente na certeza de que ela frutificará – mesmo que não veja nesta vida os frutos nascerem, mas certo de que seus netos, bisnetos ou tataranetos verão e viverão do fruto hoje plantado.

  Autor:   Anibal Lobão


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