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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 57      Atualização: 16/08/2017

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 Sociedade

  05/06/2017
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O CAPITALISMO PROPAGADO PELA DIREITA BRASILEIRA NÃO RESPEITA NEM PROTEGE AS DIFERENÇAS ENTRE AS PESSOAS, MAS AS VIOLENTA - parte 2

Por Anibal Lobão: "Este é o segundo texto da série que falei que escreveria. Espero que gostem".

O CAPITALISMO PROPAGADO PELA DIREITA BRASILEIRA NÃO RESPEITA NEM PROTEGE AS DIFERENÇAS ENTRE AS PESSOAS, MAS AS VIOLENTA - parte 2

Após tudo que disse em meu texto anterior, o primeiro desta série, para lê-lo clique aqui, ponho-me agora a falar sobre o tema proposto em si, pois na primeira parte quis na verdade lançar os fundamentos sobre o tema.

Como foi dito, não se pode falar em meritocracia em uma sociedade onde muitos são tolhidos em seus direitos básicos de uma vida digna, como moradia, saneamento básico, saúde, etc.

É evidente que as diferenças sempre irão existir, na verdade não seríamos humanos se fôssemos todos iguais. Na verdade, é a diversidade que irá gerar o bom funcionamento da sociedade, sua unidade.

As diferenças supõem então que as singularidades encontrem espaço na sociedade para poder atuar em busca da realização.

À primeira vista, o discurso dos teóricos da economia liberal afirma que somente uma sociedade bem desprovida da tutela do Estado, principalmente o mercado, poderia gerar essa liberdade individual de atuação.

Contudo, como foi dito no primeiro texto, em uma economia desregulada, na verdade pouquíssimo regulada, pois um mercado sem regulação alguma é mesmo impensável, como esperar que aquele que detém maior poder não fará o que desde o início da humanidade fez quando teve muito poder?

Repito, dê-lhe poder ilimitado, e ilimitadamente o detentor desse poder atuará.

Mas... E o mais fraco? E o mais despossuído desse mesmo poder dentro desta sociedade, como ficará? Viveríamos, mais ainda, em uma selva, onde o mais forte manda e o mais fraco que se vire com sua fatalidade de ter nascido mais fraco.

Assim, os detentores de tamanho poder, tratarão de lutar para se perpetuar com este poder, e isso só se fará se tudo permanecer como se encontra – daí chamar os conservadores de reacionários, ou seja, aqueles que reagem a qualquer tentativa de mudança do status quo.

É por isso que é uma baita hipocrisia afirmar que um modelo social assim promoverá a realização das diferentes capacidades dos indivíduos. É uma propaganda para esconder o contrário evidente.

Como crianças e adolescentes que deveriam estar na escola, mas que por força das circunstâncias estão nos sinais de trânsito fazendo malabarismo com limões e laranjas ou tentando limpar o para-brisa dos carros para tentar ganhar uns trocados vão ter a mesma oportunidade de realizarem seus méritos como aqueles que desde sempre estudaram nas melhores escolas?

Como que crianças que desde seus dez anos ou menos trabalham em canaviais ou carvoarias, trabalho que acaba com a saúde de modo que nem sabem se vão chegar à idade adulta podem realizar seus méritos?

Quantos médicos, contadores, artistas, literatos poderiam sair desses sinais de trânsito, desses canaviais, dessas carvoarias?

Não se sabe, porque a desigualdade social nos impede de fazer essa contagem, já que não é possível contar o que poderia ter sido.

Somente em uma sociedade em que todos tenham oportunidades iguais, pode-se falar sem ser hipócrita, em meritocracia – fora disso é escárnio, deboche.

Somente em uma sociedade em que todos tenham oportunidades iguais, as diferenças podem ser realmente respeitadas, e as singularidades podem ter a perspectiva de realização.

Ao contrário do que pregam os liberais, uma sociedade desigual nas oportunidades de seus indivíduos, não respeita as diferenças, mas as violenta.

E para quem vê nas exceções desculpa para este estado de desigualdade de oportunidades perdurar, digo que em algum momento esse alguém que mesmo vivendo condições de exclusão conseguiu chegar a uma condição de vida digna, este certamente teve algum tipo de ajuda em algum momento da vida – ou então é alguém genial ao ponto de já nascer sabendo as coisas. Mas pensar a sociedade requer que se pense não nas exceções somente, mas mais ainda no que ocorre como regra.

Por isso fecho meu texto com uma fala de Leandro Karnal sobre esta questão, que um amigo me passou pelo Facebook:

“Hoje existe um discurso dominante de que 100% do que acontece nas nossas vidas depende das nossas escolhas. Isso nasce de um certo pensamento liberal do início do século XIX, que tem uma dose de perversidade. É como se todo mundo que está mal tivesse optado por estar mal, e que todos podem estar bem - basta querer” – Leandro Karnal.

  Autor:   Anibal Lobão


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