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PARA ALÉM DA GRANDE MÍDIA
Desde: 10/01/2017      Publicadas: 64      Atualização: 20/10/2017

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 Sociedade

  29/05/2017
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O CAPITALISMO PROPAGADO PELA DIREITA BRASILEIRA NÃO RESPEITA NEM PROTEGE AS DIFERENÇAS ENTRE AS PESSOAS, MAS AS VIOLENTA - parte 1

Por Anibal Lobão: "Este é o primeiro texto de uma série que pretendo escrever. Espero que gostem".

O CAPITALISMO PROPAGADO PELA DIREITA BRASILEIRA NÃO RESPEITA NEM PROTEGE AS DIFERENÇAS ENTRE AS PESSOAS, MAS AS VIOLENTA - parte 1

Nossa elite capitalista sempre discursa a favor do Estado mínimo, a favor da irrestrita liberdade do mercado, e da irrestrita liberdade do capital – este, o protagonista, o soberano, que deve multiplicar-se cada vez mais, como se tivesse vida própria para, assim, promover uma sociedade justa segundo o mérito de cada um, cada qual com sua singularidade, despertada e estimulada e plenificada somente por uma sociedade livre assim.

Ora, se uns poucos podem acumular tanto capital, então todos também podem – afirmam peremptória e misticamente os liberais.

Todavia, como protagonizar o capital assim desta forma se ele não for concentrado?

E se ele é concentrado, como irá promover uma sociedade justa segundo os méritos de cada um, já que será mal distribuído?  

Respostas para perguntas como estas são respondidas com dogmas ideológicos, à feição de uma religião, até mesmo pelos economistas liberais.

Primeiramente o Estado não é um mal em si mesmo, ou menos mal somente por ser menor – vide os países escandinavos, nos quais se encontram sociedades com muita justiça social e um Estado forte, sendo o motor da economia e também fomentando fortemente programas sociais garantindo o bem-estar do povo.

Mas também o mercado não é um mal em si mesmo, contanto que seja regulado – não para tornar o capitalista refém do Estado, mas para que este possa ter êxito sem fazer reféns as demais camadas da sociedade.

O capital não é também um mal nem um bem em si – mas o que se faz com ele, dinheiro não anda nem fala, mas os que andam e falam é que fazem coisas boas ou más com ele.

Se fôssemos associar o dogma da liberdade irrestrita do mercado à religião, teríamos aqui uma idolatria – dar a determinada realidade o status e as características que a mesma não possui.

O mercado não tem mão, invisível ou não, para se auto gerir – é no mínimo imaturo pensar que o mercado, controlado pelo grande capital, que para ter êxito quer sempre multiplicar-se ilimitadamente, sem regulação alguma, não irá promover outra coisa senão uma terrível concentração de renda que consequentemente redunda em fortíssima desigualdade social.

O Estado existe para promover o equilíbrio das sociedades, e não o contrário.

Na verdade o Estado, enquanto conceito da modernidade, no que diz respeito a vida interna da sociedade, foi pensado justamente como forma de promover um controle maior do convívio dos diversos segmentos sociais por ele abrangido, estabelecendo limites, ordenando a vida social dentro de susas fronteiras.

É claro que se passarmos pela história veremos Estados de tudo o quanto é tipo. Tomas Hobbes junto com Jean Jaques Rousseau são dois autores contratualista, e uns dos primeiros teóricos do Estado.

Hobbes pregava o Estado absolutista como forma de controlar a voracidade do homem pois, para ele, naturalmente, sem regulação alguma, “o homem é o lobo do homem”. E nesse sentido tenho que concordar com Hobbes, pelo menos em parte, pois o capitalismo mais arcaico, como também o totalitarismo estatal, mostram que o homem tende a ser mesmo seu maior inimigo, basta dar-lhe um poder irrestrito, uma “liberdade” ilimitada para atuar.

Para Rousseau o Estado deve existir para garantir e preservar a liberdade natural (e não gananciosa e violenta como em Hobbes) do ser humano, preservando assim o bem-estar e a segurança da vida em sociedade. Em parte, também tenho que concordar com Rousseau, pois se o homem é capaz de ser “o lobo do homem”, o mesmo é também capaz de dar a sua própria vida pelo seu próximo.

Mas vejam que embora os dois divirjam na maneira de pensar a natureza humana, os dois concordam que o Estado é essencial para regular a sociedade e promover a harmonia, ou uma maior harmonia para a sociedade, que sem o Estado estaria fadada a barbárie.

Então por que dentro de uma sociedade, dentro de um Estado, algo poderia não ser regulado por leis que visem promover o equilíbrio dessa mesma sociedade? Por que o mercado não deveria ser regulado, o mercado que é guiado por pessoas submetidas às leis do próprio Estado? Seria o mercado maior que o próprio homem?

Mercado sem regulação não é livre, é libertino, é mar incontrolável em dia de tempestade – que no final engolirá e afogará até mesmo os detentores do grande capital.

E aí esperar que em uma sociedade onde o mercado tem o poder supremo a meritocracia seja o meio mais justo de se chegar a uma sociedade justa – é discurso que só beneficia o status quo desta mesma sociedade, que só dará oportunidade para os que tem excelentes ou boas condições de vida, boas ou excelentes condições financeiras de realizarem seus méritos...

Mas isso é tema de meu próximo texto, que na semana próxima publicarei aqui, no nosso PARA ALÉM DA GRANDE MÍDIA.

  Autor:   Anibal Lobão


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