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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 76      Atualização: 07/12/2017

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 Sociedade

  13/05/2017
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NÃO EXISTE RACISMO NO BRASIL

Por Samuel Marques: "Muita gente participa do discurso de que não existe segregação, e que não somos uma sociedade onde o negro é tratado com diferença. Isso revela o racismo de algumas pessoas, e como gostaria de estar certo quando falo "algumas""

NÃO EXISTE RACISMO NO BRASIL

Não existe racismo no Brasil.

Essa é a ideia que muita gente tenta repetidamente dizer. É um mantra para alguns, e por trás disso está a tentativa de maquiar o racismo que está no locutor que fez uso desse despautério.

Muita gente participa do discurso de que não existe segregação, e que não somos uma sociedade onde o negro é tratado com diferença. Isso revela o racismo de algumas pessoas, e como gostaria de estar certo quando falo “algumas”, que na verdade é um número bem mais significante do que imaginamos. Esse discurso revela também um grande desconhecimento da história, principalmente quando o autor é brasileiro.

No Brasil, a escravidão foi o motor propulsor de uma elite que tinha riqueza baseada na exploração. O café brasileiro tão elogiado no resto do mundo no século XIX, era produto da escravidão, e principalmente a razão de seu preço competitivo. O café foi o principal produto de exportação brasileiro no século XIX e motivo de orgulho para uma nação em busca de uma identidade, e o negro era tão importante para o café que existia a frase: “O negro é o café, e o café é o negro”. No Rio de Janeiro chegamos a ter uma população de 220 mil habitantes onde metade era escravo. O Vale do Paraíba era o retrato disso, e as elites locais com seus brasões ganhavam opulência e status as custas do trabalho escravo. Não é a toa que naquela região ainda mora, e pode ser observado pelas redes sociais, uma sociedade retrógrada e orgulhosa do seu passado escravocrata, são principalmente pessoas que ascendem político e socialmente e que perpetuam pensamentos racistas e de subserviência a outros (um dia pretendo escrever sobre isso). Mas o importante, e voltando ao foco, é que a população negra brasileira, oriunda do tráfico de escravos, aqui vivia como força de trabalho escrava, e que em 1888, mais precisamente no dia 13 de maio, não ganhou sua libertação.

A grande verdade, é que os negros foram jogados para fora das fazendas sem direito a nenhuma indenização, em uma sociedade racista que não os reconheciam como brasileiros, ou até mesmo como seres humanos. Nessa sociedade os negros permaneceram com suas liberdades que aparentemente receberam com a Lei Áurea.

Qual a liberdade que se tem quando não existe o mínimo e condições para sobreviver? Qual a liberdade quando amontoados em sobrados, foram expulsos dos mesmos sem muitos terem o direito de retirarem seus pertences, para passar uma avenida, um estilo de vida genérico francês?

Qual a liberdade em ser abandonado pelo poder público em morros sem nenhuma estrutura básica de sobrevivência, enquanto uma cidade cresce mais abaixo, deixando-os a margem da sociedade? Como ter liberdade se morros e favelas passaram a ser as novas senzalas, e que no futuro passa ser o centro da associação ao crime? Como querer que o crime não seja a arma dos marginalizados? E como achar que depois de 129 anos, e tudo como foi feito com os negros, temos uma sociedade justa, de direitos iguais?

Não existe sociedade igual, se um negro que entra em um shopping é acompanhado por um segurança de perto. Não existe sociedade igual se achamos o negro a cor do medo e sinônimo de criminalidade. Não existe sociedade igual se o negro é maioria na sociedade, mas minoria nas universidades. Um dia desses abri uma matéria que falava de um boicote de assinantes da Netflix contra a séria Dear White People (Queridas Pessoas Brancas). Dear White People é uma série em 10 episódios que fala sobre um grupo diverso de estudantes que tem que enfrentar diversos tipos de preconceito em uma universidade americana de elite que é predominantemente dominada por pessoas brancas. Logan Browning interpreta a protagonista Samantha White. Como resultado da divulgação da série, antes mesmo da sua estreia, centenas de pessoas nos comentários do vídeo de divulgação postam fotos do cancelamento da assinatura por entenderem que a Netflix estava defendendo o genocídio contra brancos e fomentando o racismo contra pessoas brancas. Tive a curiosidade de olhar os comentários, e perceber o que disse acima. As pessoas tem pavor de um espelho que mostre suas imperfeições, que revele os seus defeitos. Pessoas racistas não querem ser chamadas de racistas, não querem ser identificadas como tal, mas querem continuar se achando superiores e continuar justificando seu modo de pensar com o argumento de que negros são pessoas que se fazem de vítimas, ou com uma pergunta que vi em um desses comentários: “Que branco aqui trata um negro diferente?”. Outro diz: “erros no passado foram cometidos por pessoas que nem mais aqui estão, o que eu tenho com isso?”. Mais: “tenho culpa de ser branco?”. No final, tudo não passa de racismo, de uma divisão de raças, mais até do que classes, da necessidade de se achar melhor do que o outro.

O Racismo precisa ser combatido veementemente, e a reparação devida alcançada. Uma sociedade como a nossa que fala de igualdade não pode ter a dívida histórica que tem com os negros e achar isso normal, ou vitimismo.

Esse combate precisa ser diário, e dias como o de hoje precisam ser colocados nos devidos lugares, com as devidas análises. Princesa Isabel não é uma heroína, D. Pedro II não era um estadista justo e a elite brasileira é racista, com uma capacidade absurda de transformar através de suas armas midiáticas e políticas, um monte de escravo em capataz, o MBL que o diga.

  Autor:   Samuel Marques


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