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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 76      Atualização: 07/12/2017

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 Religião

  12/11/2017
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BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Comentários aos textos bíblicos da missa deste domingo.

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

É importante ler os textos bíblicos para bem entender os comentários. Para lê-los clique aqui.

A primeira leitura é tirada do livro da Sabedoria (Sb 6,12-16) e apresenta a sabedoria mostrando-se aos que a buscam.

Para o Israelita a sabedoria está intimamente ligada a práxis, ao modo como se vive, não se resume, portanto, a uma sabedoria meramente intelectual.

O sábio por excelência apresentado pelas escrituras do primeiro testamento é o rei Salomão, que pediu a Deus, acima de qualquer coisa, sabedoria para bem governar o povo que Deus lhe confiou.

A sabedoria era, pois, para o antigo israelita o bem acima da beleza, da riqueza, da força física, até porque esta verdadeira sabedoria só poderia vir de Deus.

Não vem, porém, em um passe de mágica, mas é necessário buscar por ela, como dito nas primeiras linhas. Nossa postura em relação a Deus deve ser ativa sempre, até mesmo quando nos colocamos a sua espera, como veremos no Evangelho.

A segunda leitura, tirada da 1ª carta de Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 4,13-18) é o fragmento em que Paulo explica àquela Igreja que na sua segunda vinda Jesus não virá somente para levar ao Pai, na força amorosa do Espírito Santo, os que estiverem vivos, mas também os que morreram em Cristo antes de sua segunda vinda. Os tessalonicenses, como também o próprio Paulo, pensavam que Jesus viria logo, e por isso ficavam tristes com a possibilidade de seus entes queridos já mortos não poderem experimentar com eles a salvação em Cristo. Paulo então desfaz esse mal entendido.

Jesus, porém, não retornou logo para arrebatar a todos como o próprio Paulo afirmava, e isto com o tempo gerou desistências da fé de alguns, e deboches por parte de muitos pagãos que desdenhavam desse tal Jesus que insistia em não voltar, embora houvesse prometido regressar para instaurar de vez os seu Reino. O texto do Evangelho, que veremos a seguir, traz uma resposta a este problema, pois o Evangelho de Mateus foi escrito uns trinta anos após a 1ª carta aos tessalonicenses ter sido escrita, e a segunda vinda de Jesus, a parousia, insistia em não acontecer. Vamos ao Evangelho.

A parábola do Evangelho de hoje (Mt 25,1-13) mostra certas posturas que, se vistas ao pé da letra, dão um nó em nossas cabeças, como por exemplo as 5 noivas imprevidentes saindo para comprar óleo no meio da noite, como se de madrugada o mercado estivesse aberto, o egoísmo das 5 noivas previdentes em não dividir o óleo com as outras, a dureza do noivo em não deixar as 5 imprevidentes entrarem na festa de casamento...

Antes de tudo é preciso não perder de vista que a linguagem utilizada em parábolas é extremamente metafórica e cheia de símbolos, e que por isso jamais deve ser entendida ao pé da letra. Em muitas das vezes usa imagens duras e espetaculares porque era típico ao antigo israelita usar esse tipo de linguagem. Mas vamos a mensagem que a parábola quer nos dizer.

As 5 jovens imprevidentes representam o povo de Israel que não se manteve fiel à Aliança com Deus, as 5 previdentes o povo que se manteve fiel e que veio a formar a Igreja como um todo, junto com os pagãos convertidos. O noivo é Jesus, e o não dar o óleo para as imprevidentes quer nos fazer entender que nossa vida não pode ser resolvida em um único momento, mas ao longo de nossa existência, através das opções que fazemos. A teologia chama isto de “opção fundamental”, que se vai construindo ao longo da vida. O chamado bom Ladrão crucificado ao lado de Jesus em Lucas 23,45, por exemplo, para o qual Jesus na cruz do calvário promete o paraíso naquele momento em que o ladrão sinceramente se arrepende, não pode ser entendido como uma espécie de “salvação instantânea”, mas confrontando este episódio com outras partes da escritura como a do evangelho de hoje, faz-nos ver que, de uma maneira ampla, aquele homem certamente levava uma vida justa, apesar dos deslizes que o levaram à cruz. Somente Deus sonda os corações e, por isso mesmo, apenas ele pode julgar com perfeição.

Manter-se sempre atento a vinda de Jesus, porém, não significa ter que assumir uma postura paranoica como se Deus fosse um cruel justiceiro ansioso por me pegar em algum flagrante delito para me condenar, como funciona hoje infelizmente grande parte de nossa magistratura e ministério público, para os quais somente a condenação pode fazê-los triunfar, não importando se o réu é realmente inocente ou culpado, sobretudo se for pobre, negro ou se for alguém que se ponha a lutar por estes. Não. Manter-se sempre alerta significa fazer comunhão com Jesus constantemente na Eucaristia, na escuta atenta a sua Palavra, para encontrar com Ele que diariamente vem a nós nos pobres, nos doentes, nos excluídos e explorados. O mesmo Jesus que não se sabe o dia e a hora em que virá para redimir e dar pleno acabamento a toda criação (cf. vers. 13), é o mesmo que não para de vir até nós nos menores do Reino. Porque é Ele o Emanuel, o Deus conosco (cf. Mt 1,23), que está no meio de nós “por todos os dias, até o fim dos tempos” – Mt 28,20.

 

  Autor:   Anibal Lobão


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