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PARA ALÉM DA GRANDE MÍDIA
Desde: 10/01/2017      Publicadas: 76      Atualização: 07/12/2017

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 Religião

  07/12/2017
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BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Comentário aos textos bíblicos da missa de domingo.

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 2º DOMINGO DO ADVENTO

Para ler as leituras bíblicas clique aqui.

1ª leitura Isaías 40,1-5.9-11

Após mais ou menos 40 anos de exílio babilônico, muitos do povo de Israel acabaram aderindo a religião e a cultura de seus opressores, e muitos conseguiram até ascender socialmente.

Todavia, o profeta, atento aos sinais dos tempos, constata que o império babilônico entrava em declínio, e outro império, o persa, estava se erguendo a olhos vistos, o que o encharcou da esperança que ele mesmo passa anunciar ao seu povo.

Afirma ele que o povo havia pago em dobro pelos seus pecados – talvez uma alusão ao livro do Êxodo 22,3, que sentencia a devolução do dobro do que se tinha roubado. Por tudo isto o profeta afirma que a liberdade se aproximava, que o cativeiro estava chegando ao fim.

O profeta não fala abertamente, mas faz essas afirmações usando figuras variadas ligadas ao passado de Israel, pois poderia ser punido pelas autoridades babilônicas se falasse de modo que todos pudessem facilmente entender.

Ele anuncia que uma voz se ergue no deserto (no Novo Testamento essa voz será associada a João Batista, como veremos mais à frente no Evangelho), para que se abra (no deserto) o caminho do Senhor, o caminho em que Deus se manifestará para libertar seu povo.

Entre Jerusalém e a Babilônia há um deserto, mas em vez de fazer o caminho usual de contornar este deserto, o povo seguirá por dentro dele, como no tempo do êxodo, embora não mais guiados por Moisés, mas pelo próprio Deus, que os protegerá e cuidará de seu povo nesse novo êxodo a caminho da terra prometida.

É necessário que estejamos sempre atentos aos sinais dos tempos. Hoje, por exemplo, nosso país está sendo governado por opressores semelhantes aos babilônios de outrora. Ou podemos nos curvar como a maioria do povo isrealita exilado e aderir a lógica do opressor, ou podemos fazer como aquela minoria que persistiu e, como o profeta, foi contra-hegemônico, não se contentou com o senso e lugar comuns, e optou pela liberdade verdadeira.

Realmente um resto de Israel creu no profeta, persistiu na fé ao Deus que os havia libertado da escravidão do Egito, e enfim pôde voltar a sua terra para refazer a vida em liberdade.

Deste modo, nossa missão é dupla:

1) Aplainar os montes e os vales que nos impedem de ver a verdade: hoje nossos vales e montes no campo social tem na mídia um exemplo claríssimo, pois esta faz um discurso único que turva as demais versões da informação;

2) Ajudar nossos irmãos a fazerem o mesmo, a verem além do que é dito, além do que é hegemonicamente exposto do modo que é exposto.

No âmbito pessoal é necessário fazer o mesmo, estar atento aos sinais que Deus nos dá para não nos acomodarmos e não nos tornarmos insensíveis às coisas que nos fazem tanto mal – pois aí nos tornamos alheios não somente a nós mesmos, mas também aos irmãos e a Deus.

 

2ª Leitura 2ª Carta de Pedro 3,8-14

“para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tarda a cumprir sua promessa” - versículos 8 e 9.

O autor da 2ª carda de Pedro escreve para pessoas incomodadas com a demora de Jesus em voltar pela segunda e última vez. Pensavam que Ele voltaria imediatemte. Mas os anos se passaram e Jesus não voltava.

Assim o autor da Carta ressalta a fidelidade de Deus a sua promessa. Ele virá conforme prometera, porque Ele é fiel, como disse Paulo na segunda leitura da liturgia do domingo passado (cf. 1 Cor 1,9).

Deus, na verdade, é fiel a si próprio, por isso não se desdiz, uma vez que tenha prometido. Sua demora na verdade é a sua perfeição, somente Ele sabe exatamente como e quando deverá vir. Deus não nos trai, porque não se trai – “Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” – 2 Tm 2,13.

Naquele tempo, portanto, como hoje, já havia muita gente imediatista.

O imedatiismo moderno tem nos tornado pessoas cda vez menos reflexivas, em um constante fast food. O irmão necessitado de nós não cabe em nosso tempo, pois “time is money” (tempo é dinheiro) – e destoar dessa lógica é como que uma transgressão grave a essa espécie de lei implícita nos corações.

Jesus virá uma segunda vez para redimir e dar acabamento a toda criação, mas de várias formas permanece entre nós. É imprescindível separarmos tempo para que possamos nos relacionar mais intimamente com Jesus na Palavra Reveldada, nos sacramentos. E como em cada um Jesus permance, separar tempo para nós mesmos e para os irmãos faz-se mais que necessário.

Necessitamos aprender a esperar, a viver o momento presente não de modo sempre imediatista ou curtoprazista, termo usado para designar certos políticos e economistas que desprezam investimentos, por exemplo, em educação, por não gerar prosperidade financeira em prazo curto ou imediato.

Também o futuro não pode ser um fator de alienação do agora, mas motivo para vivermos o hoje concreto mais intensamente: o futuro deve ser para nós motivo de esperança sempre.

Nossas ações necessitam de tempo. Devemos nos aliar ao tempo, e não rivalizar com ele.

“Compositor de destinos / Tambor de todos os ritmos / Tempo Tempo Tempo Tempo / Entro num acordo contigo / Tempo Tempo Tempo Tempo” – Caetano Veloso.

 

Evangelho Marcos 1,1-8

O Evangelho de hoje apresenta a figura de João Batista, aquele cuja missão é fazer a transição entre as promessas feitas por Deus no Antigo Testamento e o cumprimento das mesmas na pessoa de Jesus de Nazaré.

João Batista é o profeta que viu, ele mesmo, sua profecia se cumprir. É a voz que clama no deserto, como apontado na primeira leitura.

Enfim Jesus veio, quando deveria vir. Não sem antes ter corações preparados, aplainados por João Batista para poderem acolher bem a Boa Nova que Jesus trazia.

João Batista batizava no rio Jordão, por onde o povo de Israel havia passado para alcançar a terra prometida após 40 anos de caminhada pelo deserto. Desse modo, João Batista propunha que o povo refizesse o caminho e começasse tudo do zero com esse batismo de conversão justamente neste rio.

Era preciso refazer o caminho, reestabelecer a rota há muito esquecida pelo povo, para que mais tarde recebessem o batismo não só com água, mas com o Espírito de Jesus.

Deserto não é lugar para se estabelecer, deserto é lugar de passagem, e por isso é necessário passar por ele, pois só assim é possível chegar a algum lugar – indo.

Quem de nós não necessita refazer caminhos e restabelecer rotas constantemente? Quem de nós volta e meia não necessita olhar o álbum de fotos e rever seu primeiro amor, rever as promessas feitas a pessoa amada, as promessas feitas a si próprio... A Deus...

O primeiro amor deve ser resgatado constantemente. O amor humano é um processo, não é estático, amantes são os que não param de amar – e se o amor parecer cessar, há sempre tempo para retomá-lo.

Embora o verdadeiro amor não se acabe, já que Deus é amor, por vezes podemos esqeucer dele, mas há sempre tempo para retomar o caminho.

O amor ao cônjuge necessita ser retomado: flores, cuidado, um “eu te amo” inesperado...

Da mesma forma aqueles ideais de solidariedade, compaixão e justiça que tanto nos moveram em nossa juventude necessitam ser retomados – nada disso envelhece!

Nossa fé em Deus necessita ser retomada reiteradamente - é processo!

Sempre há tempo para amar o próximo, sempre há tempo para lutar junto com os desvalidos, com os excluídos, com os pobres de toda sorte, sempre há tempo de ser um com eles, até porque é Jesus mesmo quem nos diz: “pobres  sempre tereis convosco” –  João 12,8.




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