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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 76      Atualização: 07/12/2017

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 Religião

  29/11/2017
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BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

Comentário aos textos bíblicos da missa de domingo.

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 1º DOMINGO DO ADVENTO

Para ler as leituras bíblicas qlique aqui

1ª leitura: Isaías 63,16-17.19; 64,1-7

O texto começa invocando Deus como pai e redentor: “Senhor, tu és nosso Pai, nosso redentor”.

Os judeus até então não chamavam Deus de pai porque já tinham Abraão como pai, e também porque não queriam que seu Deus fosse confundido com os deuses dos outros povos, já que estes comumente chamavam seus deuses de pai.

Todavia, agora estão cativos no exílio babilônico, e Abraão e os outros patriarcas não podem mais vir em seu socorro.

Por isso, pela primeira vez na Bíblia os judeus enfim recorrem a Deus como Pai (nos evangelhos Deus é chamado de Pai 184 vezes); Jesus irá além e chamará Deus de “Aba”, isto é, de papaizinho, demonstrando assim extrema familiaridade, carinho e intimidade com Deus, convidando-nos, deste modo, a nos relacionarmos com Deus desta mesma forma.

Redentor era o membro da família que teria a missão de resgatar o irmão que tivesse sido capturado e preso ou escravizado, pagando pelo resgate ou dando a si próprio em substituição ao irmão.

Contudo, qual irmão poderia agora resgatar Israel do cativeiro em Babilônia? Nenhum... Somente Deus, que outrora havia resgatando Israel da escravidão do Egito, poderá resgatá-los deste novo cativeiro. Futuramente será Jesus a dar a si mesmo em sacrifício para salvar todos nós, seus irmãos. 

O povo admite que está nesta situação por sua própria culpa, e passa a esperar no Deus fiel que o havia libertado no passado – mas esperam de modo ativo, resistindo, perseverando na fé, negando-se a curvar-se à religião do opressor.

Nós hoje continuamos contando com o Deus libertador que, por sua vez, conta com nossa colaboração nesse processo de libertação ao longo de nossa vida. Deus nos propõem uma ação conjunta, pois não quer agir em nosso lugar, nem sem nossa participação, mas conosco. “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, diz Santo Agostinho. Nossa fé é adesão e fidelidade – não é passiva.

No próximo ano teremos de novo eleições. Nossa passividade em relação à política somente ajudará a perpetuar o que aí está. Deus não vai intervir magicamente em nossa passividade e omissão. Não se pode resolver o problema político fora da política. Sem nossa participação, em última instância os sujeitos da autoridade política, nada muda. Deus, repito, quer agir através e com cada um de nós. Por isso é preciso que persigamos junto com Deus os objetivos justos, “Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, a porta lhe será aberta.” – Mateus 7,8.

 

2ª leitura 1 Coríntios 1,3-9

Os cristãos de Corinto haviam aderido à fé. Mas com o passar do tempo é provável que estivessem desanimando. Para reanimá-los, Paulo então escreve com intuito de lembrá-los que Deus havia lhes dado os dons necessários para que todos se mantimantivessem vigilantes na espera do Senhor.

Por vezes temos dificuldade em perceber e dar valor às riquezas que já possuímos. Não é errado querermos evoluir e crescer em todos os âmbitos de nossa vida, mas o problema é que o consumismo de nossas sociedades faz-nos desprezar o que já temos para querermos desenfreadamente sempre mais. O resultado disto é a cultura do descartável, que o papa Francisco tanto nos chama a combater, que é um modo de vida perverso que acaba contaminando as relações humanas e coisificando as pessoas. Não são as coisas que devem ser amadas! As pessoas devem ser amadas!

 

Evangelho Marcos 13,33-37

O verbo vigiar é dito várias vezes na parábola do evangelho de hoje. É necessário vigiar para que o dono da casa quando voltar não encontre seus empregados dormindo. Tanto o porteiro quanto os outros funcionários.

O dono da casa é Jesus que virá uma segunda vez para dar acabamento a toda criação, muito embora não nos deixe abandonados a nossa própria sorte, pois ele, embora estando ainda por vir, continua no meio de nós de diversas formas, caminhado junto conosco até o final dos tempos.

O porteiro representa os líderes diversos da Igreja que são responsáveis por estar mais vigilantes que todos para animar o restante do povo, que somos todos nós, a ficar também sempre vigilantes, como vimos que Paulo fez na segunda leitura aos irmãos de corinto.

Não saber a hora em que o Senhor virá é dom, é graça, pois nos impede de barganhar, de negociar com Deus no sentido de só querermos fazer o que se deve fazer desde já apenas nas horas ou nos dias que antecederiam a sua chegada. Esta hipocrisia tentaria muitos de nós.

Não temos o direito de deixar para amanhã o bem que devemos fazer aos irmãos imediatamente, esses irmãos nos quais o senhor não cessa de vir até nós, sobretudo os mais desvalidos, os famintos. Até porque “‘Quem tem fome tem pressa’, dizia Betinho, irmão do cartunista Henfil, o sociólogo militante Herbert de Souza, que, entre outras coisas, criou a organização-não governamental Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, em 1994, no Rio de Janeiro.” Fonte.

Como ensinar a pescar antes de matar a fome de quem se quer ensinar? É pura desculpa para se eximir de ajudar o irmão faminto. Com fome não se aprende nada, como podemos constatar concretamente (e tristemente...) no pequeno trecho de uma reportagem veiculada pelo site G1, no dia 17 do mês passado, que ponho abaixo:

“Um menino de oito anos desmaiou de fome em uma sala de aula do Distrito Federal. A escola atende crianças que moram longe e levam duas horas para chegar. Muitas, sem almoço. Eles vão de ônibus, que faz várias paradas pelo caminho. Para entrar no horário, à uma da tarde, saem de casa por volta das 11 horas da manhã e percorrem 30 quilômetros. Já chegam para aula com fome.”

Clique aqui para ver toda a reportagem.

Ainda haver fome no mundo é algo terrivelmente imoral e requer uma vigilância ainda maior de todos nós. Nessas horas somos todos porteiros, com a missão de estar mais vigilantes que todos, para, cada um a seu modo, poder lutar não somente por si próprio, mas também pelos outros. Essa é a missão de cada um.

  Autor:   Anibal Lobão


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