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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 108      Atualização: 23/04/2018

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 Justiça

  01/08/2017
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RESPOSTA A FALA DE LEANDRO KARNAL SOBRE A CONDENAÇÃO DE LULA

Leandro Karnal caindo no Senso Comum - por Anibal Lobão

RESPOSTA A FALA DE LEANDRO KARNAL SOBRE A CONDENAÇÃO DE LULA

Ouvindo as declarações do professor Leandro Karnal para uma rádio, resolvi dar minhas opiniões irrelevantes (termo usado por ele) publicamente sobre sua fala, enquanto isto ainda é possível.

O senhor afirma, professor, que no processo do ex-presidente Lula “houve provas, que houve defesa, houve um julgamento, houve uma sentença, e agora vai para uma instância superior onde os advogados podem recorrer” - houve provas sim, professor, mas da inocência do ex-presidente, e isso sim, independentemente de minha opinião ou da sua, houve e a sentença do juiz Moro ignorou; há materialidade farta apresentada pela defesa, professor Karnal, que em um processo onde o magistrado assume a postura de acusador em comunhão com o MPF, simplesmente inverte o ônus da prova –  ele não conseguiu provar a culpa de Lula, mas diante das provas de sua inocência, tanto docmentais como também testemunhais (inclusive com testemunhas da acusação o inocentando), condena-o por convicção, jogando fora todo texto da lei, que existe para trazer o mínimo de segurança jurídica não só para o ex-presidente, mas a toda sociedade.

“Tudo dentro das questões legais” – é de admirar que um historiador, ainda por cima com formação em Filosofia, emita opiniões tão mergulhadas no senso comum como esta. Muito se houve que o Juiz Moro estudou, tornou-se magistrado, e por isso, e só por isso, seus julgamentos são justos e dentro da lei em si mesmos. Não, professor, a sentença está cheia de divergências com a lei. O senhor teve o trabalho de ler a sentença? Ao menos as partes que, independentemente de minha opinião ou da sua, divergem desastrosamente da legislação vigente? Fica provado o que o senso comum pode provocar até mesmo em mentes brilhantes como a sua, professor.

“Quando eu fico dizendo eu sou a favor ou sou contra eu tenho que lembrar que isso é irrelevante” – não, professor, o status quo quer que pensemos assim, que nossa manifestação em relação a qualquer que seja a esfera da república seja entendida, principalmente por nós cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, como irrelevante. O senhor, professor, quando diz que a opinião pública tem apenas um certo peso, está contradizendo o próprio juiz Moro, que afirmou, ele próprio, com outras palavras, que a opinião pública é o que para ele mais importa, e é o que o encoraja a cometer tantas ilegalidades, ou o senhor esqueceu do louvor explícito que ele tem feito a uma espécie de hermenêutica subjetiva em relação ao texto da lei, por mais objetivo que o texto seja? Como o senhor mesmo falou, é preciso sair “da sacristia” em relação a qualquer realidade que não se coadune com o processo democrático – e decididamente basta ter um pouco de bom senso, e abdicar do senso comum, para ver que a lava jato, que poderia ser uma bênção para o país e para a democracia, tornou-se nada republicana, e por isso uma maldição sem precedentes para a nação.

“Lembrando que se nós vivêssemos uma ditadura, como a Coréia do Norte ou Cuba, Lula seria inocentado pelos amigos ou fuzilado pelos inimigos” – mais uma vez o senso comum contamina suas palavras, professor, o judiciário quando se junta com o MP com poderes ilimitados, redunda justamente em perseguições, em abandono das leis, em parcialidades criminosas, no fortalecimento de uma casta tão corrupta quanto a política. O senso comum brasileiro tem declarado todos os políticos demônios, e santificado os agentes do judiciário como heróis e santos. Como o senhor mesmo fala, a corrupção não está resumida ao poder legislativo e executivo, mas é endêmica, tanto que permite, aprova e estimula pessoas instituídas para representar a lei a passarem por cima da mesma ao seu bel prazer. Aumentar ilimitadamente o poder de um agente público é torná-lo corrupto definitivamente. Mas penso que não preciso me alongar nisto com o senhor, que certamente me daria uma aula brilhante sobre este tema.

“Estamos prendendo gente diretamente ligada ao poder, estamos prendendo gente diretamente ligada ao governo Temer, estamos prendendo gente ligada ao governo anterior, estamos processando pessoas variadas, que estão tendo espaço pra debate e espaço para opinião” – professor, o senhor está mesmo acompanhando de perto a operação lava jato, suas prisões, como são feitas, como estão ocorrendo as delações premiadas, o que ocorre com corruptos notórios após delatarem o que o MPF quer que delatem, bem como o próprio juiz Moro com seu famoso não vem ao caso (tácito ou explícito) tem deixado lados livres e soltos e outros perseguidos implacavelmente? O senhor sabia, só para dar um exemplo entre tantos, que a esposa de Cunha está solta por misericórdia do magistrado, só que há assinaturas da mesma em contas da Suíça mais que comprovadas? O senhor já atentou, professor, para o fato notório de que o juiz Moro tem várias reclamações sérias contra ele no CNJ há anos, e decisões da lava jato emitidas por ele tem sido revertidas porque seu subjetivismo e parcialidade tem tornado suas decisões nulas?

“Ninguém fala em golpe, só alguns saudosistas, ninguém fala em golpe” – o senhor certamente está se referindo a golpe militar, como se um golpe só pudesse ocorrer por meio de armas. Não, professor, quero crer que o senhor realmente não refletiu ao falar isto. Sem comentários; faz-me lembrar de seu colega, o historiador Marco Antônio Villa, que fala que a ditadura foi boazinha com todos. Que seu próximo passo não seja falar que na verdade não houve golpe militar nem ditadura no Brasil, mas uma revolução, após tanta mudança de postura por parte do senhor... 

“As pessoas entendem que a situação está ruim e para ela melhorar precisamos de mais democracia, mais voz, mais justiça autônoma, mas autonomia do judiciário, mais imprensa livre” – repito, professor, nosso judiciário, assim como nossos outros poderes, necessita de mais controle, nosso judiciário é o poder dos poderes, que goza da opinião arraigada no senso comum de ser um poder probo, imaculado, heroico, e salvador da pátria. Quando um poder se sobrepõe aos outros, no caso o poder judiciário, temos uma ditadura do judiciário, professor. E “a pior ditadura é a do poder judiciário. Contra ela não há a quem recorrer” – Ruy Barbosa.  E nosso judiciário, em sendo assim, mostra-se hoje profundamente corrupto, haja vista suas decisões parciais, que beneficiam o poder econômico, que marginaliza e criminaliza os mais pobres. Veja o que uma garrafa de pinho sol fez com um negro, veja como são tratados criminoso filhos de desembargadores, veja qual a pena máxima para um crime hediondo que um juiz venha cometer. Não, professor Karnal, não é fortalecendo uma casta, dando-lhe ainda mais autonomia para fazerem o que quiserem que iremos purgar nossos males, professor. Certamente iremos aumentá-los.

Ao senhor minhas irrelevantes opiniões.

Aqui o link para acessar a fala do professor Karnal no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ig55r4R_0q4

Aqui a resposta do senador Roberto Requião para o restante de sua fala, que gira em torno da manifestação das senadoras após a aprovação da reforma empresarial chamada cinicamente de reforma trabalhista:

https://www.youtube.com/watch?v=d1w1PZ7sT5I

  Autor:   Aníbal Lobão


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