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Desde: 10/01/2017      Publicadas: 108      Atualização: 23/04/2018

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 Economia

  19/01/2017
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CORTAR DIREITOS TRABALHISTAS AJUDA A COMBATER O DESEMPREGO?

Por Anibal Lobão: "O governo tem propalado que cortar direitos trabalhistas é receita para abrir novos postos de trabalho. Será que isto é verdade? Este texto pode lhe ajudar a pensar melhor sobre o assunto"

CORTAR DIREITOS TRABALHISTAS AJUDA A COMBATER O DESEMPREGO?

O governo Temer tem como marca explícita proteger com todo ardor o nicho economicamente hegemônico de nossa sociedade, sobretudo o nicho rentista, sempre privilegiadíssimo e extremamente antinacionalista, com aquele pujante espírito subalterno de nação colonizada, em detrimento à grande maioria de nossa população. Isto é mais do que evidente. É com e para estas pessoas e com este sentido de nação tão deturpado que Temer governa.

É claro que a outra parte da moeda, a parte mais hegemônica numericamente, mas sem hegemonia nenhuma em relação às decisões tomadas pelos dirigentes da nação, isto é, o povo trabalhador, é o lado mais fraco da corda que a todo instante vem sendo arrebentada, este lado que, paradoxalmente, é o gerador da verdadeira riqueza da economia real do país, em oposição ao capital especulativo exagerado que só faz aleijar-nos cada vez mais.

Para avançar nesta, digamos, hegemonia elitista e antinacionalista, o governo faz uso de vários sofismas (argumentos falsos). Como bem falou Gustavo Adolfo Medeiros, um de nossos colunistas, em seu texto no qual refuta a indevida e maldosa comparação do Estado com a dona de casa, o governo lança mão de silogismos desenvolvidos a partir de premissas/argumentos falsos.

Aqui, vou identificar outro silogismo usado pelo governo para tirar ainda mais de quem tem pouco, agora em relação a política de corte de direitos trabalhistas pretendida pelo governo Temer, pedindo licença a Gustavo para fazer uso também de silogismos formais como ele o fez em seu texto. Deixando bem claro que não sou contra patrões, muito pelo contrário, mas sou radicalmente contra distorções e mentiras, que sempre são danosos para os mais fracos nas diversas relações sociais. Eis aqui então um primeiro silogismo propalado pelo governo e grande mídia a este respeito:

Se forem diminuídos direitos trabalhistas

Mais dinheiro sobrará aos patrões

Logo, os patrões contratarão mais

 

Este silogismo poderia ser também desenvolvido inversamente, veja:

 

Os patrões querem contratar mais

Mas tem muitas despesas trabalhistas

Logo, deve-se cortar direitos trabalhistas

 

Vejam que nos dois silogismos os patrões são vistos quase como vítimas de uma suposta covardia, e os direitos trabalhistas como estorvo, como fardo que emperram a produção e, com efeito, a economia do país. E essa é a propaganda, por demais enganosa que o governo faz.

Entretanto, o que, em sua opinião, gera no patrão a necessidade de contratar mais empregados para sua empresa? Se sua resposta for: “menos gastos que o patrão possa ter com os empregados”, você simplesmente aceitou o silogismo midiático e enganoso que o governo propõe para lhe convencer. Mas nem tudo está pedido, continue lendo o texto.

Caro (a) leitor (a), na verdade, o que gera no patrão a necessidade de contratar mais empregados para sua empresa não é gastar menos com os empregados, mas sua necessidade de aumentar sua produção, proveniente, é claro, do aumento da demanda por seu produto ou serviço. Eu explico.

Imaginemos que o sr. Antônio tenha uma pequena farmácia e tenha apenas um empregado, e os dois, tanto sr. Antônio quanto seu funcionário, revezam-se no balcão e nas entregas de medicamentos nos domicílios.

Imaginemos agora que nas imediações foi finalizada a construção de um condomínio grande de apartamentos do projeto Minha Casa Minha Vida. Além disto, passou a funcionar também próxima a farmácia uma empresa com muitos funcionários, e que estas novidades fizeram mais pessoas procurarem a farmácia tanto no balcão como pedindo entregas pelo telefone. Ora, o sr. Antônio, se quiser atender a esse aumento de demanda para poder lucrar mais, tem que continuar atendendo bem, caso contrário os fregueses vão procurar outra farmácia e ele poderá até passar a faturar menos que faturava antes do movimento aumentar. É aí que o sr. Antônio vê sua real necessidade de contratar mais um ou dois funcionários. Se não for assim ele não contrata, porque não haverá necessidade, mesmo que passe a gastar menos com seu funcionário.

Enfim, se o sr. Antônio passar a pagar menos ao seu empregado devido à perda de direitos que seu funcionário venha a sofrer, isto, por si só, vai gerar, apenas, um lucro indireto para sua empresa, que passará a gastar menos às custas da diminuição de direitos trabalhistas conquistados a tão duras penas ao longo de nossa história, direitos estes que nasceram para equilibrar e humanizar um pouco mais a relação empregador-empregado.

Que então fique bem claro, leitor (a) amigo (a), que esta perda de direitos não tem poder mágico nenhum de gerar a abertura de mais postos de empregos como o governo e a grande mídia tanto asseveram. Mas sim, de empobrecer e vulnerabilizar ainda mais o povo trabalhador, principalmente, é claro, os que ganham menos.

  Autor:   Anibal Lobão


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